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4/15/2010 
O turismo depois do petróleo? 
Fez na passada terça-feira, 13 de Abril, 55 anos que jorraram as primeiras gotas de petróleo angolano.

Infelizmente a data passou despercebida. Por ironia, num país economicamente sustentado pelo petróleo, quase ou nada se disse. Mesmo que o chamado “ouro negro” pareça não querer parar de jorrar, levantando-se então o problema da dependência da economia angolana admite-se que também poderá continuar. Ou não. A última notícia sobre o cobiçado minério chega de um país amigo de Angola, São Tomé e Príncipe, que protagonizou uma licitação em Nova Orleans, Louisiana, e em Houston, Texas, onde as autoridades do arquipélago apresentaram ao mercado blocos petrolíferos localizados na sua Zona Económica Exclusiva.

E se o petróleo acabar mesmo daqui a 10 anos? A questão é tão complexa e delicada que ninguém se arrisca a pronunciar sobre o assunto. O antigo presidente do Banco Mundial para a África, o guineense Paulo Gomes, chamou a atenção de que Angola devia já preparar-se para o período póspetróleo. As estimativas sobre reservas variam consoante as fontes e vários países insistem em manter certa discrição sobre o petróleo que possuem. Porém é ponto assente que a Arábia Saudita, o Irão e o Iraque são claramente os três gigantes, não só pela quantidade e reservas, como pela qualidade do produto.

Como se não bastassem outros “pormenores”: o receio de surgir no espaço de poucas décadas um mundo sem acesso a petróleo, o desenvolvimento acelerado de países como a China ou a Índia trouxe uma nova pressão ao mercado, pois ambas as nações não são capazes de garantir o seu próprio fornecimento. No caso chinês, o consumo petrolífero deverá crescer 3,3%, em média, entre 2010 e 2020, atingindo os 8,1 milhões de barris, por dia, já no próximo ano, mesmo assim um distante

segundo lugar mundial, pois os Estados Unidos consomem perto de 20 milhões de barris a cada 24 horas.

A agricultura é apontada como a primeira opção para o lançamento de diversificação e como alternativa mais consistente ao petróleo. Sobretudo em África que detém recursos quase inesgotáveis.

Mas pode haver mais alternativas. Como, por exemplo, o turismo Na verdade, o turismo é um sector de actividade em franca expansão a nível mundial. Os voos internacionais devem atingir os 1.6 mil milhões em 2020, de acordo com dados da Organização Mundial do Turismo (OMT). A Europa deve continuar a ser, em 2020, o principal destino, devendo atingir os 717 milhões de chegadas, representando 46% da quota de mercado, contra os 60% registados em 1995.

O continente africano figura em quarto lugar, devendo a sua quota de mercado passar de 3.6 %, em 1995, para os cinco porcento em 2020. E, no continente, Angola tem muitos trunfos na manga; dispõe de matérias-primas e de condições climatéricas, recursos naturais e culturais indispensáveis à estruturação e desenvolvimento e consolidação de produtos turísticos estratégicos.

Um aproveitamento racional das suas potencialidades é capaz de colocar o país ao lado dos seis gigantes mais competitivos, em termos turísticos, em África. Ilhas Maurícias, Tunísia, África do Sul, Egipto, Marrocos e Botswana.

Falta apenas que seja desenhada uma estratégia que tenha o objectivo claro de catapultar Angola para o patamar dos mais cobiçados destinos turísticos. E isto passa pela renovação dos aeroportos, pela reconstrução de vias de comunicação, por um maior e mais consistente apoio às pequenas e médias empresas que investem no sector do turismo. Algumas destas medidas, têm sido tomadas, sobretudo, no que respeita ao investimento público. Mas ainda assim falta um esforço maior em investir no turismo, por exemplo, na facilitação de entradas no país, na promoção de Angola no exterior e na defesa do riquíssimo património cultural e natural angolano.

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