Mauro Costa
LUANDA
A Fitch estima que os maiores bancos portugueses vão manter, pelo menos, o mesmo nível de rentabilidade de 2009, apesar do fraco crescimento económico em Portugal e dos custos de fi nanciamento mais elevado.
A conclusão é da Fitch que, na semana passada, reviu em baixa o “outlook” do Millennium bcp e do BES para “negativo”, mantendo os “ratings” para a dívida dos dois bancos.
A agência de notação fi nanceira, que no mês passado desceu o “rating” de Portugal para AA-, estima que as margens dos maiores bancos portugueses – CGD, BCP, BES, Santander Totta e BPI – devem permanecer relativamente estáveis em 2010, comparando com 2009.
Para a mesma fonte, a contribuir para este desempenho devem estar “o aumento dos ‘spreads’ no crédito e o contributo das operações internacionais, sobretudo em Angola”.
Custos em alta
Apesar desta visão mais positiva, a Fitch adverte que os custos de fi nanciamento da banca portuguesa devem aumentar ainda mais e o acesso ao crédito ficar mais difícil, caso o mercado reaja de forma negativa à evolução da posição orçamental de Portugal.
“Apesar de a Fitch esperar uma deterioração na qualidade dos activos em 2010, como as condições económicas em Portugal devem permanecer deprimidas, qualquer deterioração deve ser gerida e as imparidades no crédito devem permanecer no mesmo nível observado em 2009”, salienta Philip Smith, analista da Fitch.
A agência nota que os rácios de capital dos bancos portugueses melhoraram em 2009 e que estes conseguiram financiamento nos mercados internacionais “sem grandes problemas”, mas as emissões foram de maturidades curtas, entre três e cinco anos.