Pedro Emanuel da Costa
e Marta Cassinda
LUANDA
Co n s i d e r a d a uma das maiores empresas de exploração de petróleo em África, a Sonangol aposta presentemente na política de expansão. E por isso pretende também entrar no promissor mercado de São-Tomé. Mas a estatal angolana não marcha sozinha. A Nigéria assinou acordos de exploração com São Tomé (ver texto na página 3) que resultou num negócio de milhares de dólares. Segunda maior exploradora de petróleo africano (depois da Líbia com 43, 7 milhares de milhão de barris) a Nigéria possui uma reserva de 36,2 de milhares de milhão de barris, mas não possui uma multinacional que se compare a angolana Sonangol.
Astutos, os nigerianos perceberam da pujança da Sonangol e, tudo indica, que vão tentar seguir os passos da empresa angolana. A estratégia já está montada. Uma fonte do Semanário Económico confidenciou que a Nigéria está a fazer contactos internacionais no sentido de montar uma empresa eficaz para concorrer com a Sonangol: “Os nigerianos tiveram e tinham condições de fazer uma empresa igual ou maior que a Sonangol, mas não fizeram por razões que se desconhece”, disse a fonte do Semanário Económico. Caso a aposta nigeriana resulte advinha-se um duelo de gigantes.
África a emergir
A descoberta de petróleo no continente africano está a ressuscitar a região nas agendas internacionais e a afectar a dinâmica comercial das potências mundiais. África, reconhecida por ser rica em petróleo, não parecia valer, durante muito tempo, o esforço e o risco de extracção de hidrocarbonetos. Até recentemente. Um terço das descobertas de petróleo desde o ano 2000 ocorreu aqui. Estima-se que nos campos petrolíferos africanos estejam perto de 10% das reservas mundiais comprovadas (um potencial de 117 mil milhões de barris, comparável ao do Iraque). Contas feitas, África assegura cerca de 11% da produção mundial de petróleo.
O número é modesto, mas os dois dígitos africanos não deixam, contudo, de ser apetecíveis à luz das vantagens de exploração naquele continente: o petróleo é «doce», ou seja de qualidade; há ganhos no transporte face a outras proveniências; há vantagens contratuais; muitos Estados fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) fogem aos seus limites restritivos de produção; a exploração, no mar, está longe de potenciais conflitos em terra. Embora não se saiba muito bem quanto petróleo há sob o solo e águas africanas, sabe-se que é muito. Sufi ciente para espicaçar as necessidades da Nigéria e de Angola que poderão contornar, caso for preciso no futuro, o aumento dos preços no Médio Oriente e que dispõem de tecnologia que permite chegar a jazidas petrolíferas de acesso antes improvável. No Gana, por exemplo, foram extraídos mil milhões de barris de petróleo e prevê-se que a exploração mais intensa comece em meados de 2011, com 120 mil barris por dia. O Uganda é outro país que pode atiçar: 800 milhões de barris descobertos.
A exclusividade com a Nigéria pode acabar
Mas presentemente a luta é em S. Tomé. O primeiro-ministro de São Tomé já mostrou interesse numa parceria com a Sonangol, o que pode querer significar que a exploração de petróleo entre São Tome e Príncipe e a Nigéria já teve melhores dias. O ano passado, Jorge Pereira Santos, presidente da Autoridade de Desenvolvimento Conjunto (ADC), admitiu que ainda era cedo para tirar conclusões. “Nestes seis anos de parceria houve progressos, mas há o outro lado da moeda. Houve alguns choques que tentámos ultrapassar”, afirmou a um jornal económico português. A procura de petróleo no arquipélago esteve interrompida desde 2006, dada a falta de disponibilidade de torres de perfuração.
No entanto, São Tomé e Príncipe e a Nigéria devem licitar, a partir de 2011, quatro novos blocos petrolíferos, cuja dimensão é inferior aos quatro que já estão em exploração. Em estudo estão os blocos 7, 8, 9, e 10 com áreas entre 750 a 1,5 mil quilómetros quadrados. Nesta fase, decorrem negociações com uma empresa especializada que fará as sondagens sísmicas (trabalho que demora cerca de um ano e meio). Na zona exclusiva petrolífera de São Tomé e Príncipe, vai ser organizado, em breve, um leilão para concessões. De acordo com os últimos dados oficiais, estarão reunidas as condições para se lançar o concurso do primeiro bloco de petróleo até ao final de 2010. É que o pequeno arquipélago ainda não começou a produzir petróleo. Este país tem duas zonas de exploração identificadas.
Uma conjunta com a Nigéria e outra exclusiva de São Tomé e Príncipe. Na zona conjunta com a Nigéria estão a ser realizados três furos para instalação de três blocos, que permitirão fazer uma análise em concreto e ver se a quantidade é sufi ciente para que seja declarada uma descoberta comercial.
No entanto, São Tomé e Príncipe pretende aproveitar a experiência angolana na exploração petrolífera, através de uma parceria com a Sonangol. Foi o próprio primeiro-ministro sãotomense, Rafael Branco, que se mostrou receptivo, numa visita a Luanda, a uma cooperação empresarial no domínio do petróleo, tendo em conta que Angola é um país de referência neste sector. Além disso, o país já produz mais barris de petróleo por dia do que a Nigéria, bastante afectada o ano passado com o preço da subida dos combustíveis (ver infografia). O melhor ouro negro é africano.