O último relatório da Unctad referente ao investimento estrangeiro no mundo em 2008 revela que África captou 88 mil milhões de dólares, um recorde para o continente e que culmina seis anos seguidos de crescimento de entrada do IDE. Daquele montante, 73% dirigiram-se a países da África Subsaariana (contra 64% no ano anterior) enquanto o resto se concentrou na África do Norte. Esta boa notícia é acompanhada por duas outras: por um lado, em 29 países o investimento aumentou e, por outro, assinala-se um maior interesse pelo sector industrial.
Contudo, uma leitura mais atenta dos números revela, uma vez mais, a grande concentração do investimento estrangeiro nos países dotados de recursos naturais. Isto explica porquê se notou uma diminuição acentuada na entrada do IDE a partir do segundo semestre de 2008 e que continuou pelo primeiro trimestre de 2009.
A crise internacional, a quebra da procura mundial de matérias-primas, explicam o facto. Mas explicam tudo? Infelizmente não.
Embora a África consiga garantir ao investimento estrangeiro os maiores retornos em termos comparativos com outras regiões e que o risco de investimento tenha estado a diminuir, lentamente é certo, continuam a persistir factores de constrangimento assinaláveis. Anyanwu, entre outros autores possíveis, enumera um conjunto bastante diversificado: uma mobilização dos recursos internos muito baixa; um elevado grau de incerteza; má governação e corrupção; diminuto capital humano qualificado; ambiente regulatório para os negócios pouco atractivos; infra-estruturas fracas; dimensão interna do mercado nacional insuficiente; elevada dependência na exportação de matérias-primas; imagem nos mercados internacionais muito má; dificuldades de acesso e disponibilidade reduzida de reservas cambiais; mercados de capitais insuficientes e altamente voláteis. Uff que já chega! E como se isto fosse uma alfaiataria, que cada um em África imagine qual é o fato, ou os fatos, que lhe caem na perfeição. A partir daí certamente que estará em condições de poder aspirar, no futuro, a um fraque ou a um smoking ao invés de um coçado blazer! Destaque: os países africanos são diferentes tal como a sua atractividade de investimento estrangeiro. Mas ainda há factores comuns.