Na última crónica houve oportunidade para abordar um caso de sucesso no Quénia e que mostrava a importância da cooperação empresarial centrada numa determinada actividade. E, por acréscimo, o papel que o Estado pode ter não se substituindo ao sector privado mas criando condições para que este desempenhe da melhor maneira a sua função. Do que se tratava era de ‘clusters’ de empresas. Abreviadamente poder-se-á defini-los como um grupo de empresas envolvidas na mesma actividade ou actividades fortemente relacionadas entre si e que estão localizadas perto umas das outras. É uma aglomeração geográfica e sectorial de empresas. Não se tratando de uma estratégia de industrialização de um país é, contudo, um dos meios de a concretizar. Existindo em muitos países, quer industrializados quer em desenvolvimento, em África é usual referirem-se os casos de clusters no Quénia (Eastland, Kamukunji e Ziwani), Uganda (Lake Victoria), Gana (Suame), na África do Sul (Western Cape e South Africa Wine), na Nigéria (Newi e Otigba), nas Maurícias ou na Tanzânia (Mwenge e Keko). As suas actividades vão desde a metalomecânica ligeira, o têxtil ou o hardware de computadores até às flores, processamento de peixe ou vinho.
A grande vantagem do clutser reside na eficiência colectiva que é possível obter-se pelo facto de a união conjunta de esforços fazer minimizar os problemas que uma empresa enfrenta quando age individualmente. Assim, potencia os ganhos que derivam de um acesso facilitado ao mercado e à existência de mão-de-obra qualificada, de boas possibilidades de efectuar spillovers tecnológicos, de um forte incentivo à cooperação, na produção e marketing, bem como na criação de associações de defesa dos seus interesses, da produção diversificada que são produtos finais ou inputs para outras empresas industriais aí localizadas, de ganhos derivados de se estar perto da fonte de inputs ou ainda de tornar mais fácil a obtenção de apoios por parte do governo, doadores e do sector financeiro relativamente à situação de empresas dispersas geograficamente.
É evidente que não há bela sem senão e na próxima crónica continuaremos a desenvolver o tema.