Estêvão Martins
Luanda
A construção do novo porto de Cabinda será mesmo materializada no decurso desde ano, segundo garantias recentes do ministro dos Transportes Augusto Tomás. A infra-estrutura será erguida em águas profundas e colocará fim à dependência do enclave ao porto de Ponta Negra, no Congo Brazzaville.
No decurso desta semana, o governador de Cabinda Mawete João Baptista disse que a dependência à Ponta Negra provoca constrangimentos aos agentes económicos contribuindo, com isto, para o encarecimento dos produtos em Cabinda. Sem avançar a data do início dos trabalhos nem o montante da obra, o responsável adiantou apenas que a construção do porto comercial está para breve. “O porto em águas profundas, em Cabinda, vai nascer para alegria do seu povo e será construído com fundos disponibilizados pelo Estado e por instituições privadas”, assegurou o governador quando se dirigia às autoridades tradicionais locais no início desta semana. Nos dois últimos anos o porto de Cabinda beneficiou de obras de reabilitação que consistiram na recuperação do seu cais, colocação de tapete asfáltico em algumas áreas, bem como a aquisição de novas máquinas.
Com efeito as obras realizadas desde 2008 no porto permitiram a atracagem, em Janeiro de 2009, do navio Brasileiro de grande porte, denominado Jana, de cinco metros e meio de calado e 135 metros de comprimento. Outra nota curiosa é a ampliação da área para a descarga de 19 mil metros para 55 mil metros quadrados, o que constitui um dos factores essenciais que estão a favorecer o trabalho portuário naquela província. Fruto do investimento, o porto comercial de Cabinda ganhou, nos últimos quatro anos, a capacidade de manusear, anualmente, mais de 400 mil toneladas de carga diversa, segundo o seu director-geral, Lobo do Nascimento, composta, em síntese, de viaturas, contentores, diversos materiais de construção e máquinas provenientes da China e de outros países, bem como bens alimentares e electrodomésticos.
Mas, em sintonia com os órgãos de decisão e execução centrais, a atenção das autoridades portuárias locais não se restringe à melhoria das infra-estruturas, aquisição e instalação do respectivo equipamento. No centro das suas preocupações está também a preparação das pessoas que operam e gerem o porto. Assim, para dar resposta às exigências do mercado e à concorrência, os funcionários seniores frequentaram, nos últimos anos, um curso de nível superior sobre gestão portuária oferecido pela direcção geral. Além disso, aos actuais 308 trabalhadores têm a possibilidade de frequentar o centro de formação profissional adequada às funções que exercem. Segundo o plano da direcção, liderada por Lobo do Nascimento, o porto de Cabinda tem a ambição de constar da lista das principais rotas marítimas da África Ocidental após a construção do novo porto.
De lembrar que a ponte cais, cuja construção data de 1953, foi reabilitada pela Damem Shippyard no ano de 2004, e o seu tempo de vida útil foi estimado entre três e cinco anos. Feita de estacas metálicas Porticadas e travadas por vigas metálicas, com vigamento em madeira e pavimento igualmente em madeira, tem uma frente acostável de 124 metros, com calado de quatro metros ao “Zero Hidrográfico” e comporta a atracação de navios de três a cinco mil toneladas de mercadorias.