Michael Brown
EM WASHINGTON
Diplomatas angolanos disseram ao Semanário Económico que a remodelação governamental, ocorrida em Angola em Fevereiro, atrasou a finalização das discussões. Além da energia, Luanda e Washington concordaram em estabelecer parcerias estratégicas nos domínios da agricultura e indústria. «Só não há consenso em relação ao domínio militar», Os Estados Unidos da América e a Nigéria formalizaram na terça-feira a criação de uma comissão bilateral, inspirada no modelo que Washington quer usar no estabelecimento
de um diálogo para uma parceria estratégica com Angola, anunciada em Agosto passado, por altura da visita que a chefe da diplomacia norte-americana efectuou a Luanda.
O compromisso entre os dois governos compreende a criação de comissões de trabalho que vão explorar caminhos para cooperação em áreas como boa governação, transparência, energia, agricultura e segurança. Abuja despachou para Washington o secretário do governo federal, Yayalé Ahmed. Pelo governo dos Estados Unidos assinou a secretária de Estado, Hillary Clinton. O formato adoptado pelos dois países foi igualmente discutido com o governo sul-africano, com quem em principio, Washington deverá assinar um acordo idêntico
nas próximas semanas.
O entendimento entre a Nigéria e os EUA aconteceu justamente uma semana depois dos norte americanos
terem adoptado uma nova metodologia de controlo de voos comerciais. O sistema até aqui em vigor sujeitava os cidadãos da Nigéria, ao mesmo escrutínio a que são sujeitos cidadãos dos chamados «países de risco» que é como a administração norte-americana designações em que a hostilidade anti-americana atinge foros extremistas. Da lista contam países como a Líbia, Argélia, Paquistão, Síria, Irão e o Iraque.
A Nigéria foi colocada nesta condição após um cidadão, de nome Farouk Abdulmutallb, ter tentado fazer explodir um avião comercial norte-americano que ligava Amesterdão, na Holanda, a Detroit, no Michigan. Abdulmutallab foi imobilizado por dois passageiros que viajavam ao lado dele. Está detido em Michigan,
sob a acusação de ter tentado uma acção terrorista. Se for declarado culpado, poderá ser condenado à prisão perpétua. Em resultado deste incidente, os EUA solicitaram à Nigéria autorização para que nos voos que partam de Lagos para cidades norte- americanas sejam incluídos ofi ciais do US Marshall, unidade de protecção e segurança do governo federal norte-americano. Abuja, ao que consta, continua a ponderar. Lagos, a principal cidade da Nigéria, tem cerca de 10 ligações semanais para os EUA, e vice-versa. O governo nigeriano
protestou contra a sua inclusão na lista negra. O novo sistema anunciado há uma semana é baseado não na nacionalidade, mas em critérios de inteligência.