Josefa dos Santos
Luanda
As elevadas taxas de juros praticadas pelos bancos comerciais estão a obstaculizar o processo da diversificação
da economia no país, conforme avaliação de economistas e empresários contactados pelo Semanário Económico. Para o economista Victor Hugo, as elevadas taxas de juros praticadas pelos bancos comerciais travam o processo de diversificação da economia, razão pela qual o Estado está a encontrar obstáculos na execução do programa. “Quando se fala em diversificação da economia, isso exige maior participação do
sector privado em detrimento do Estado”, esclarece.
Victor Hugo considera mesmo as elevadas taxas de juros a principal barreira de quem pretende investir. “Normalmente, quando as taxas de juros são baixas, há mais fontes de investimentos no país e quando são mais altas há menos volume de investimento. No caso angolano, as taxas de juros são muito especulativas, não são reajustáveis perante as necessidades das pessoas e, por isso, são muito elevadas”. Por outro lado, o empresário
Artur de Almeida atribui às elevadas taxas de juros à paralisação de muitos projectos em Angola.
“Neste momento, são poucas as empresas que estão a beneficiar de financiamento dos bancos, apesar de estes gabarem-se de estarem a conceder financiamentos. Na prática, este financiamento não é concedido, porque os bancos não estão capacitados para fazê-lo”. O empresário José Severino diz que, devido às elevadas taxas de
juros, a diversificação da economia continua a ser uma autêntica utopia. “A única forma de ultrapassar este desafio será o subsídio a juros e à definição de um método de garantias por parte do Estado”, sugere.
Já, para o economista Carlos Alexandre, há uma necessidade urgente de tornar os juros mais atractivos e criar facilidades na obtenção de crédito no sistema financeiro nacional.
Neste momento, o recurso ao crédito é uma condição indispensável para o crescimento da economia, segundo o economista, para quem o Estado tem a obrigação de criar condições para a satisfação da procura.
Investidores fogem ao crédito
Segundo José Severino, apesar das garantias que os empresários apresentam aos bancos, os investidores fogem do crédito bancário, devido aos juros altos e a vários riscos e factores que ocorrem no mercado. “Uma valorização do dólar, redução da procura ou de outros factores podem levar a empresa a uma situação de não poder realizar em tempo oportuno as suas obrigações perante a banca, podendo assim hipotecar-se ao financiador”, exemplificou.
O presidente da AIA afirmou ainda que há muitas empresas activas que só continuam a trabalhar apenas para pagar os juros dos bancos, sob pena de paralisarem a sua produção e caírem na linha vermelha.
Victor Hugo frisou ainda que Angola tem as taxas de juros mais altas do mundo susceptíveis de impedir o crescimento da economia. “É preciso que haja uma intervenção do Estado no crescimento da economia para ver se consegue reduzir os custos daqueles que tomam crédito”. Por seu turno, o empresário Artur de Almeida realçou que esta prática dos bancos comerciais deve-se ao facto de os bancos não possuírem grandes capacidades financeiras. “Os nossos bancos dependem dos bancos credores internacionais, e como estas instituições muita delas têm pouca verba para introduzir no mercado”