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MERCADOS
 
4/8/2010 
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Edição: I/029 
Nova seguradora aposta na mediação de empresas 
Zacarias dos Santos

LUANDA

A mais recente das sete seguradoras do mercado nacional, a Garantia Seguros, busca neste momento parceiros nos correctores de seguros instalados em Angola para vender o seu produto só a empresas. Numa primeira fase, a companhia vai apostar só no mercado empresarial, através do canal de corretagem, conforme garantiu o director-geral da Companhia, Pedro Morais Leitão, ressaltando, no entanto, não ser o único objectivo da instituição. O gestor promete passar depois para o mercado de particulares com maior incidência para o sector automóvel.

Pois, com a entrada em vigor do decreto-lei sobre a obrigatoriedade do seguro de responsabilidade civil automóvel, o dirigente acredita haver maior garantia de subir a carteira de clientes. “Por enquanto, maior ênfase é dada à mediação, concretamente no canal de corretagem para empresas”, referiu.

A Garantia conta actualmente com 18 trabalhadores e prevê atingir os 30 empregos directos até ao fi nal de 2010, enquanto os postos indirectos podem chegar a 100 trabalhadores, recrutados através da parceria com mediadores e outros peritos de seguros. A companhia aposta nos ramos vida e não-vida. De acordo com a legislação angolana sobre seguros, para uma companhia subscrevera os dois ramos são necessários mais de 6 milhões de dólares de capital, superior a mínimo exigido para a criação de um banco comercial.

A Garantia Seguros tem um capital social de 10 milhões de dólares. Desde o seu surgimento, a companhia já investiu 4,5 milhões de dólares no desenvolvimento dos sistemas de informação com equipamentos e softwares de origem dinamarquesa. A empresa prevê recuperar o capital investido dentro de três anos.

Dentro de cinco anos, a empresa tenciona atingir 50 milhões de dólares em prémios. A cerimónia ofi cial do início das actividades da empresa aconteceu a 19 de Novembro de 2009 quando abriu as portas ao público em Janeiro de 2010, já com a emissão de apólices. A companhia é detida por um grupo de angolanos liderado pelo presidente do Conselho de Administração, João Raimundo Belchior, e pela parte portuguesa cinco investidores encabeçados por Miguel Pais do Amaral, um empresário bem conhecido no mercado português. O investidor foi presidente da Media Capital Grupo, a proprietária da televisão privada TVI. As acções dividem-se em 55% para a parte angolana e 45 por cento para os portugueses.

Gestor enaltece papel da associação

O director-geral da Garantia Seguros, Pedro Leitão, acredita que a associação das companhias de seguros que está a nascer pode desempenhar um papel crítico, quer para a divulgação da necessidade de se fazer seguros, quer para o fortalecimento das seguradoras em trabalharem em conjunto para o bem do segurado angolano. O dirigente da setima companhia de seguros no país espera que os passos para a proclamação da Associação das Seguradoras Angolanas aconteça com a maior celeridade possível, pois acredita na dinamização que a mesma vem dar ao mercado segurador nacional.

Entretanto, Pedro Leitão diz notar ainda dificuldades por parte das companhias de seguros em estabelecer boas redes de prestadores de serviços nas clínicas e nas garagens (oficinas), admitindo que a ausência dessas redes traduz-se numa pior qualidade de serviços para o segurado. A Garantia Seguros é uma das sete seguradoras que subscreveram o documento que legitima a criação da Associação das companhias de seguros de Angola, cuja cerimónia oficial aconteceu a 16 de Março último, no Centro de Convenções de Talatona, em Luanda. Respeitante à disponibilidade em ocupar algum posto nos órgãos sociais da nova associação, Pedro Leitão mostra-se preparado para tal.

Accenture assessora seguradoras

Para a implantação da associação, as seguradoras recorreram à assessoria de uma empresa experiente no ramo de consultoria, a Accenture que começou já por organizar um workshop em Luanda, em que participaram 25 técnicos. Dentre as recomendações da Accenture, consta a criação da Associação das Seguradoras de Angola, com a sigla ASAN. Antes da proclamação em Dezembro próximo, outros passos seguir-se-ão. Para tal, a Accenture trouxe quatro técnicos seniores que foram prelectores durante o evento, nomeadamente o director da área de seguros, Miguel Proença, o responsável pela gestão de consultoria e os dois responsáveis para a área dos serviços fi nanceiros: João Pedro Tavares e Álvaro Almeida, todos de nacionalidade portuguesa.

A Accenture é uma empresa de prestígio internacional com sede nos Estados Unidos da América e trabalha há muitos anos na área de consultoria e assessoria com várias seguradoras a nível mundial. A companhia tem um volume de negócios avaliado em 23 mil milhões de dólares, está instalada em mais de 100 cidades de 60 países e tem uma carteira de 4 mil clientes.

Em 2008, a Accenture fi cou em 47.º lugar, numa classifi cação que distingue as 100 melhores companhias a nível mundial. O evento é organizado pela Business Week, intitulada “Business Best Global Brands – top 100”. Contam ainda da lista das distinções uma classifi cação máxima em 2010, no ramo de consultoria pela marketescope for Global Finance Management Consulting Services, 2010; foi o melhor fornecedor de serviços para a Associação de Profissionais de Outsourcing (IAOP) no ranking“global outsourcing 100”, para os anos 2008 & 2009; foi também a segunda empresa de tecnologias de informação mais admirada, pela Revista Fortune, 2009; uma das 50 marcas mais valiosas do mundo, pela revista Business Week, Top 100 Brands, 2009.

Contributo da Accenture em Angola

Além de montar a estratégia para a criação da Associação das Seguradoras de Angola, a Accenture foi determinante na mudança de do sistema de gestão até alcançar os níveis aceitáveis internacionalmente. Entre as inovações introduzidas pela Accenture na gestão do Banco Millennium Angola constam: a adaptação dos sistemas de informação para incorporar novas tabelas de dados, capazes de gerar relatórios automaticamente, mantendo em paralelo o PCIF (Plano de Contas Vigente até 1 de Janeiro de 2010), alterações dos processos contabilísticos manuais para que respeitem as exigências dos padrões internacionais, bem como a capacitação dos seus recursos humanos para as novas normas com os respectivos reajustes nos vários departamentos às transformações contínuas do mercado fi nanceiro. O recurso do Banco Millennium Angola à Accenture deveu-se às exigências do Banco Nacional de Angola (BNA) que consistia na avaliação dos impactos das mesmas na realidade específica do banco e defi nição das iniciativas a levar a cabo para o cumprimento dos prazos estabelecidos pelo BNA.

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