Economistas e dirigentes institucionais Sentem-se satisfeitos com os progressos registados em todos os sectores económicos durante os oito anos de paz, cujas comemorações decorreram no dia 4 de Abril. Apesar de ainda persistir um baixo desenvolvimento no seio das populações, os especialistas fazem um balanço positivo, a
julgar pelos indicativos macroeconómicos e sociais, fruto do crescimento de alguns sectores prioritários como agricultura, pecuária, pescas, indústria transformadora, habitação, assim como estradas e pontes.
PIB mais que duplicou
Durante os oitos de paz, o país registou um crescimento considerável no Produto Interno Bruto (PIB), saindo de 11 mil milhões de dólares, em 2002, para 71 mil milhões de dólares, em 2009, depois de ter estado próximo dos 90 mil milhões de dólares em 2008. Dito de outra forma, o PIB de Angola registou um crescimento de 2,25 vezes, mais do que o duplicado, o que corresponde a uma taxa média de crescimento anual de 14,4 por cento.
Em 2003, o PIB registou um crescimento na ordem dos 5,2 por cento, enquanto em 2004 esta cifra disparou para 11,3, o correspondente a uma subida de 7,5 pontos percentuais. Em 2005, o PIB cresceu para 20,6 por cento, vindo no ano seguinte a cair 2,6 pontos percentuais para 18,6 por cento.
Em 2007, o PIB voltou a crescer 20,86. Mas de 2008 a 2009, com o estrangulamento económico mundial, a produção nacional registou uma baixa no crescimento na ordem dos 13,61. Graças a esta estabilidade, o poder
de compra dos angolanos teve um salto qualitativo, tendo a inflação caído de 105 por cento, em 2002, para 13,99, em 2009.
A dívida externa, que representava cerca de 62 por cento do PIB angolano, hoje, equivale apenas pouco mais de 20 por cento. De acordo com o relatório económico de Angola 2008, elaborado pela Universidade Católica
de Angola, tem sido muito difícil puxar a inflação para a casa de um dígito desde que a taxa anual acumulada de inflação se reduziu de 105,6 por cento em 2002, para 18,5 por cento em 2005. Entre 2005 e 2007, a contracção pontual foi de apenas 6,7”.
Pobreza ainda em alta
Apesar do esforço que o governo tem envidado para minorar o índice de pobreza, a taxa continua elevada, de acordo com o relatório económico. Se em 2002, o índice de pobreza se situara em 68,2 por cento, no ano seguinte registou um declínio de um dígito, atingindo 67,7 por cento. Contudo, em 2007, houve uma redução considerável, tendo atingido 56,5 por cento. Em 2008, a taxa de redução da pobreza em Angola foi de 54,7
por cento. Entretanto, os economistas contactos pelo Semanário Económico consideram ainda os ganhos
tímidos, a julgar pelos altos níveis da pobreza.
“Este crescimento não pode ser visto como um milagre, uma vez que não conseguimos retirar a maior parte da população da pobreza”, asseverou Justino Pinto de Andrade, ilustrando a sua afirmação com números assombrosos: “É sabido que mais de 70% da nossa população vive abaixo do limiar da pobreza, e perto de 40% está em pobreza extrema”. Por seu turno, o economista Jaime Fortuna considera a economia angolana bastante vulnerável a choques externos adversos. “Existe alta dependência do mercado externo, a pauta de exportação é pouco diversificável, o Estado continua a ser maior empregador, o custo do crédito é bastante elevado na sociedade”, sublinhou.