Galiano Cahombo
LUANDA
A banca comercial ao longo do primeiro trimestre do corrente ano, um prejuízo avaliado em 10 triliões de kwanzas. As perdas, segundo o titular da Direcção Nacional de Inspecção e Investigação das Actividades Económicas (Polícia Económica), Alexandre Canelas, foram provocadas por organizações criminosas, que levaram a cabo 20 acções durante o referido período. Essas organizações subtraíram os valores financeirosatravés da utilização de tecnologia de informação, cópia e falsificação de cheques e outros documentos que passavam por uma vasta rede de colaboradores entre trabalhadores da banca e das finanças, funcionários públicos, técnicos de informática, contabilistas e tesoureiros de várias empresas, estafetas e desempregados. Os bancários implicados nos crimes eram trabalhadores que, por força das suas obrigações profissionais, estavam autorizados pelos respectivos empregadores a operar os meios electrónicos. Neste momento, a banca está a levar a cabo um processo de depuração que deverá culminar com a expulsão do seu seio desses indivíduos, sem escrúpulo, que prejudicaram significativamente várias empresas.
Os criminosos roubaram uma média de 500 milhões de kwanzas em cada uma das 20 operações que efectuaram. No ano passado, a quantidade de crimes desta natureza notificados foi inferior em virtude de, nessa altura, o sistema de alerta então instalado ter sido tão pouco sensível que deixava os órgãos judiciais e, no geral, a sociedade a leste de tais ocorrências.
Antigamente, esses crimes só se tornam públicos quando fossem descobertos em consequência de acções realizadas pela Polícia. Hoje, comparou Alexandre Canelas, “os operadores especializados, os empresários e os cidadãos são mais sensíveis à ocorrência de crime no sector financeiro e bancário. E, sempre que tal acontece, denunciam imediatamente às autoridades”.
Nos últimos meses, os delinquentes não só transformaram a banca e as finanças em seus alvos períodos anteriores, demonstraram uma crescente capacidade para o cometimento de crimes contra o sector. De acordo com o chefe da Polícia Económica, os crimes ocorridos no circuito bancário registam um nível relativamente alto de concertação. O oficial superior da Polícia avançou como um indicador disso o facto de cada um dos integrantes das quadrilhas poder dissimular fácil e habilmente os seus movimentos.
Alexandre Canelas defendeu que, em face disso, a Polícia deve encarar com mais atenção o processo de aperfeiçoamento dos seus efectivos e estreitar a sua cooperação com instituições afins com vista a dar um combate mais cerrado a esse tipo de ilícitos.