Josefa dos Santos
LUANDA
Os agentes económicos reclamam o índice elevado das taxas de juros praticadas pelos bancos comerciais, uma situação agravada pelas dificuldades no acesso ao crédito bancário que constitui a principal barreira para os investidores.
Segundo o presidente da Associação Industrial Angolana (AIA), José Severino, as taxas de juros (variam de 10 a 24%) estão cada vez mais elevadas tendo em conta a actual taxa de infl ação, o que resulta numa reduzida concorrência interbancária. “Os bancos mantêm essas taxas com grande conforto, o que resulta em lucros elevados para eles, mas obstáculos para a economia”. Por outro lado, o empresário e sócio gerente da Arosfram, Artur de Almeida, considera um absurdo as taxas praticadas pelos bancos comerciais, qualificando- as como impossíveis de serem absorvidas pelo mercado.
Para Artur de Almeida, a escassez de valores e a falta de confiança no cliente fazem com que a taxa de juros seja muito elevada e os operadores como não têm grande capacidade de reposta na aquisição deste valor junto do banco vêem os seus projectos adiados. O sócio gerente da Lotus, o empresário Rui Sanchos, que está engajado na construção de um milhão de casas do programa do Governo da habitação, não foge à regra ao considerar as elevadas taxas de juros praticadas pelos bancos. O Sector da habitação também foi afectado pela dificuldade de aquisição do crédito bancário por parte dos investidores.
O empresário reclama o prazo que os bancos concedem aos devedores para pagar o empréstimo e considera a ganância como estando atrás das elevadas taxas de juros. “Não é possível no fim de quatro anos estarmos a dever a mesma coisa que pedimos. Ou seja, no prazo de quatro anos, o devedor sente-se obrigado a pagar apenas as taxas de juros, mantendo intacta a dívida e ameaçada a actividade que o obrigou a recorrer ao banco”, assevera.
Devido às dificuldades na aquisição de crédito bancário, Rui Sancho não consegue um crédito bancário há mais de três anos para o seu projecto habitacional. “Os empresários não têm acesso à terra, não têm acesso à propriedade das instalações, porque a propriedade privada foi toda personalizada. Quem tinha no tempo colonial, continua a ter e quem não tinha continua a não ter”, lamenta.
Bancos em defesa
O presidente do Banco Espírito Santos BESA, Álvaro Sobrinho, considera o crédito ainda muito limitado. “ Se o crédito fosse ilimitado, toda a gente tinha crédito, porque os recurso das pessoas também são ilimitados”. Álvaro Sobrinho realça que o principal obstáculo que faz disparar as taxas de juros é a escassez de dinheiro dos depósitos. “Os depósitos da banca praticamente não cresceram, o que não aconteceu nos anos anteriores. Em anos anteriores, os depósitos cresciam numa média de 30 a 40 por cento ao ano”.
Variação de taxas
O BPC (Banco de Poupança e Crédito) pratica uma taxa de juros de 15 a 20 por cento por ano: 12 a 17 por cento para particulares, enquanto para as pequenas e médias empresas as taxas variam de 12 a 16 por cento.
Desde 2009, o banco BIC pratica uma taxa de juros de 18 por cento ano. Na tentativa de buscar mais informações sobre o assunto, o SE desdobrou-se inutilmente em contacto com vários gestores de bancos comerciais que, apesar de promessas, até ao fecho desta edição não responderam ao nosso questionário.