Manuel Ferreira
A experimentação dos clusters na África Subsariana foi abordado na crónica anterior. Pretendeu-se aí realçar as potencialidades que elas encerram.
Os exemplos no continente vão despontando em vários sectores de actividade, nomeadamente no industrial. A exiguidade do mercado nas suas diferentes componentes ajuda a explicar as virtualidades dos clusters no contexto africano. Porém, nem tudo são facilidades e tapete estendido. O trabalho árduo para que se possam constituir pólos com aquelas características exige uma percepção clara quanto aos seus objectivos e o papel que pode desempenhar na industrialização e crescimento económico.
Não pode ser uma moda nem um devaneio mediático, exigindo perseverança e articulação entre as responsabilidades do Estado e do sector privado. Por outro lado, há que definir claramente e a longo prazo que o papel que podem desempenhar seja virados para o mercado interno seja, ou em simultâneo, para o mercado externo. Com a abertura cada vez maior das economias, o que introduz um grau de exigência e eficiência também maiores na actividade empresarial, a sua inclusão em cadeias de valor internacionalizadas pode ser uma boa oportunidade para as empresas africanas não ficarem isoladas. Há efeitos miméticos diversos, por estímulo externo, que devem ser aproveitados. Mas não é fácil.
A missão espinhosa dos clusters encontra pela frente desafios como a ausência de massa crítica em mão-de-obra qualificada e talentos; a dificuldade de acesso ao capital, tecnologia e processos de inovação por parte das empresas; dimensão crítica da empresa aquém do necessário; uma pouca ligação ao meio empresarial circundante e de negócios; ou ainda, sem esgotar os factores, uma fraqueza no apoio governamental e institucional, nomeadamente na provisão de infra estruturas e formação. A solução não é única. No entanto, a experiência mostra que é necessário atender ao reforço das redes e parcerias empresariais, a uma maior capacitação institucional e formação profissional assim como a procura de inserção em cadeias de valor internacionais.