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4/1/2010 
-
Edição: I/028 
Universidades deixam de fora 11 mil candidatos 
 

Sónia Cassule

LUANDA

 Mais de 11 mil candidatos ao ensino superior não conseguiram entrar nas novas universidades públicas, instaladas em seis províncias. De acordo com dados recolhidos pelo Semanário Económico, a Universidade Katyavala Bwila, em Benguela, foi a que maior número de candidatos deixou de fora, seguida da Universidade José Eduardo dos Santos, no Huambo (ver  infografi a na pág 2). João Marcolino, 23 anos, que sempre sonhou ser médico, lutou até à exaustão por uma vaga no curso de Medicina na Universidade Katyavala. Também chegou a pensar numa segunda opção, o curso de Economia. No entanto, não teve êxito em nenhum das duas: “Estava disposto a ir até ao fim. Vivo no Lobito e acordava todos os dias às duas horas da manhã para estudar, mas a minha nota não foi boa, nem em Medicina, nem em Economia. Também por força do número de candidatos”, desabafa João Marcolino que promete, a si próprio, fazer um esforço maior no final do próximo ano para conseguir uma vaga na Faculdade de medicina. Por seu lado, M, que insistiu no anonimato por ser responsável de uma empresa conceituada na província de Benguela, está a pensar em tirar uma licenciatura por correspondência: “Preciso urgente de um canudo, não tenho tempo a perder. Isto está demais. Vou tentar por correspondência”, diz. Antes, porém, vai preparar uma viagem a Portugal onde pensa analisar o custo de uma licenciatura.  O meu desejo de miúdo não se realizou”, desabafa António Domingos. Natural do Bié, mas a viver no Huambo, é um dos 1.300 candidatos que não conseguiram entrar na nova Universidade José Eduardo dos Santos. Dos dois mil candidatos, apenas havia 700 vagas para os cursos de Medicina, Ciências Agrárias, Laboratório Clínico, Electrotecnia, Enfermagem e Informática.

“Fiz a prova de Ciências Agrárias, mas fi quei de fora, tive uma nota baixa. O meu falecido pai foi agrónomo, eu queria ser como ele”, conta António Domingos, desiludido. Mas não é um jovem desanimado: “No próximo ano há mais. E tenho a certeza de que nessa altura entrarei”, garante. Apesar de as vagas serem reduzidas, Paulo de Carvalho, o reitor da Universidade Katyavala Bwila, fez saber que os 1.125 candidatos já admitidos, por via dos exames na referida instituição académica, são os primeiros estudantes da História da Universidade. Paulo de Carvalho não receia, contudo, a inserção dos estudantes da instituição que dirige no mercado de trabalho “cada vez  mais difícil”, pois, segundo ele, “o objectivo é vencer a concorrência de estudantes que estão nas outras universidades”. No Uije, o antigo núcleo da Universidade Agostinho Neto, transformado agora em Universidade Kimpavita, conta com as áreas de Contabilidade e Gestão e Informática. Estes cursos albergam 180 alunos, sendo 130 para Contabilidade e Gestão e 50 para a Informática. Para o presente ano lectivo, entraram pela primeira vez cerca de 150 estudantes num universo de 400 candidatos. O reitor Carlos Diakanamwa disse ao SE que “só em 2011 a instituição de ensino vai funcionar como tal”.

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