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OPINIAO
 
2009/01 
12/10/2009 
Embaixador Sul-Africano 
 

O embaixador sul-africano revela que o negócio entre os dois países já ultrapassa os dois mil milhões de dólares e Angola está em vantagem. As relações entre os dois países foram passadas em revista e Kubheka lamenta a burocracia na concepção de vistos.

 Qual é o nível das relações entre Angola e a África do Sul?

 Desde a visita do Presidente Jacob Zuma, as relações estão mais dinâmicas. Esperemos que atinjam outro patamar.

 O que seria desejável para a África do Sul nesta relação?

 Os dois países têm potencialidade para serem motores e condutores da Economia da região Austral de África e até mesmo do continente. Pelos numerosos recursos que possuem, podem mutuamente interagir e promover o desenvolvimento do Continente. Angola tem um recurso muito procurado, o petróleo, e a África do Sul é uma potência em termos de infra-estruturas.

 Na política sul-africana em que lugar está Angola?

 Durante a visita do Presidente Zuma a Angola, foram rubricados vários acordos e um dos quais tem a ver com a necessidade de concertação entre os dois países. Os países deverão juntar sinergias para que as suas posições sejam firmes e partilhadas nas instituições mundiais, como são os casos do FMI e o Banco Mundial.

 Qual é o volume de negócios entre os dois países?

 As estatísticas referentes ao ano passado apontavam para um valor anual superior aos dois mil milhões de dólares. A balança pendeu para o lado angolano que conseguiu exportar mais. Até 2006, a vantagem era da África do Sul, mas agora a situação mudou completamente.

 Quais são os principais produtos de troca?

 Angola exporta para a África do Sul petróleo e os seus derivados. A África do Sul exporta para Angola maquinaria.

 Existem perspectivas de abertura de negócios noutros sectores?

 O Presidente Zuma veio com uma comitiva de empresários de diversas áreas que estão interessados em investir cá. Todas as semanas, recebemos pedidos de sul-africanos que querem investir em Angola. As infra-estruturas e a habitação são as áreas onde os sul-africanos estão interessados em investir. Já existem negociações muito avançadas. Os sul-africanos estão interessados, fundamentalmente, no Sul, para assegurar cada vez melhor as relações com a Namíbia e Angola. Sabemos que as infra-estruturas e construção civil em Angola são dominadas por brasileiros, portugueses e chineses, mas a África do Sul é vizinha de Angola e pode dar o seu apoio na reconstrução.

 E número de empresas sul-africanas já existente em Angola?

 Tivemos no passado algumas empresas no ramo da construção civil, como a Robert e o grupo FIVE que diminuíram a sua presença em Angola. Temos ainda a Shoprite, ligada à comercialização de bens alimentares, a APSA, um banco que tinha parceria com Banco Comercial Angolano (BCA).

 E agora, recentemente, o Standard Bank.

 Saudamos o facto de o Governo angolano ter autorizado a entrada do Standard Bank. Gostaria que as empresas sul-africanas aumentassem a presença no país, ocupando-se, fundamentalmente, na indústria manufacturada, na produção de materiais de construção e na indústria agropecuária.

 A África do Sul é uma potência neste sector e Angola possui muitas zonas virgens que precisam ser exploradas.

 É triste saber que Angola tem de importar bens alimentares que podem perfeitamente ser produzidos aqui. São produtos básicos. Angola tem potencial para dar de comer ao continente africano. Trabalhando com agricultores sul-africanos é possível fazer-se uma viragem neste sector.

 Além do petróleo, o que pode ser exportado de Angola para a África do Sul?

 Além dos petróleos e da agricultura, pode ser fornecida energia, não só para a África do Sul, como para outros países vizinhos. Há sectores que ainda não foram tocados.

 Elucide-nos.

 Refiro-me ao gás natural que é queimado e não aproveitado. Em relação às nossas potencialidades, o meu país é um dos maiores produtores de vinho e pode produzir também aqui em Angola, concretamente na província da Huíla.

 Assusta-o o facto de faltar apenas meia dúzia de meses para o arranque do Mundial?

 Quando a África do Sul ganhou a organização do Mundial, ganhamos também consciência que muito teria de ser feito. Temos a obrigação de organizar um Mundial exemplar sobretudo por ser o primeiro em África. Precisamos honrar os africanos que esperaram muito tempo para terem esta oportunidade.

 É também uma oportunidade de se combater a pobreza, é isso?

 E não só. Com a realização do Mundial, vamos aproveitar para combater a pobreza assim como o desemprego. Estão construídos de raiz 10 estádios, seis dos quais estão entre os 10 melhores do mundo. Construímos também novos alojamentos. Quem aterrar no aeroporto internacional Oliver Thambo, repara nas muitas alterações. É um dos melhores de África e um dos mais modernos do mundo. Estamos a construir também um metro que sai do aeroporto até ao estádio da cidade de Joanesburgo. Será o primeiro em África.

 E quanto a postos de trabalho foram criados?

 Ainda não concluímos os trabalhos. Todavia, foram criados muitos postos de emprego.

 É exagero falar-se em milhão?

 Talvez mais de um milhão. Se olhar para o volume de trabalho, pode chegar a esta conclusão. Não é apenas na construção de estádios, mas também nos hotéis, indústrias e no apoio às infra-estruturas. Um milhão é o número aproximado, mas é apenas uma estimativa.

 E o volume de investimento na construção de infra-estruturas?

 Só para os estádios, foram projectados inicialmente 1,3 mil milhões de dólares. Agora estamos próximo de 2,5 mil milhões de dólares. Mas ainda não concluímos os trabalhos.

 Sabe-se que houve necessidade de a África do Sul comprar cimento fora do país. Bateu-se a porta em Angola?

 O cimento vem da China e do Brasil. Angola produz pouco senão teríamos comprado também m aqui. A maior lição que podemos tirar é a necessidade que temos de aumentar a nossa produção e vamos também ajudar Angola a aumentar a sua capacidade de produção interna, sobretudo por causa da necessidade que tem de construir um milhão de casas até 2012.

 Aumenta o número de cidadãos angolanos que reclamam da burocracia quando solicitam vistos de entrada na África do Sul...

 Os sul-africanos também consideram existir excesso de burocracia da embaixada angolana na África do Sul. Existe tensão dos dois lados. Isso foi reconhecido e lamentado por empresários dos dois países que apelaram ao fim destes excessos, sobretudo no que concerne à concepção de vistos de entrada. Há muita burocracia.

Os vistos demoram cerca de 22 dias e há muitos requisitos que são exigidos.

 Estamos longe da supressão de vistos?

 Era bom que houvesse livre circulação entre os dois países. Ficaria muito satisfeito. Nós esperávamos que durante a visita do Presidente Zuma fosse assinado um acordo de supressão de vistos, mas fomos surpreendidos com a informação que os angolanos ainda não estavam preparados.

No entanto, vamos continuar a trabalhar e esperamos conseguir êxitos. Deve haver mais aproximação entre nós! Por exemplo, Angola vai organizar o CAN, em Janeiro próximo, e a África do Sul, o Mundial 2010. Estas barreiras, se persistirem, podem afectar a entrada de cidadãos dos dois países para assistirem a estas competições.

 Qual é a importância que atribui ao caminho-de-ferro de Benguela?

 Os caminhos-de-ferro de Benguela foram construídos pelos colonialistas portugueses com o objectivo de atingir os minerais do Congo Democrático e quando descobriram que havia jazidas de cobre em Moçambique. A ideia era transportar estes produtos para a Europa. Tal como foi usado antes, esta via pode ligar os vários países de África, criando um corredor de desenvolvimento. O caminho de ferro de Benguela é a espinha dorsal para o desenvolvimento entre Angola, Congo Democrático, Zâmbia e o Zimbabwe.

 Quando é que podemos ter um continente industrializado? Temos de esperar mais um século?

 Espero que não. Penso que as populações de Angola e de outros países não podem aceitar isso. Temos a missão de atingir os desafios do Milénio até 2014 e tenho confiança que as actuais lideranças dos nossos países respondam positivamente a este desafio.

 A corrupção é um dos grandes factores de instabilidade no Continente?

 Sim! Quando estamos numa situação de recursos limitados e de muita exigência, estamos certamente envolvidos em situações de corrupção. Há luta de poderes, com os mais fortes a controlarem os mais fracos e podemos ver o que acontece no Congo Democrático, onde até foi criado o termo cleptocracia.

 Acredita que a corrupção não é um problema isolado?

 Claro. Tem várias ramificações. Temos de responder ao desafio da transparência na governação e também dar atenção aos mais afectados pela pobreza, aos direitos e à democracia. A corrupção não existe apenas na governação, mas também no sector privado e não são só africanos.

 A abertura de uma zona de comércio livre entre Angola e África do Sul interessa ao seu país?

 É uma das grandes prioridades, mas não depende só de nós.

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